Estado de Alagoas

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Nise da Silveira

médica psiquiatra

(Maceió, 15 de fevereiro de 1906 – Rio de Janeiro, 30 de outubro de 1999) 

Nise da Silveira

Nise da Silveira foi aluna de Carl Jung e membro-fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica ("Societé Internationale de Psychopathologie de l'Expression"), sediada em Paris.

Dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia.

De 1921 a 1926 cursa a Faculdade de Medicina da Bahia, onde formou-se como a única mulher entre os 157 homens desta turma. Está entre as primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina.

Em 1933 trabalhou no "Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental" do "Hospital da Praia Vermelha".

Nise da Silveira foi simpatizante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), mas não sabia nada sobre a organização do movimento liderado por Prestes. Durante a Intentona Comunista foi denunciada por uma enfermeira pela posse de livros socialistas. A denúncia levou à sua prisão em 1936 no presídio da Frei Caneca por 15 meses.

Neste presídio conheceu Olga Benário, Graciliano Ramos e outros participantes do movimento comunista, que se tornaram grandes amigos seus. Por meio desse encontro, ela tornou-se também, uma das personagens da obra de Graciliano Ramos chamada “Memórias do Cárcere”.

 De 1936 a 1944 permanece com seu marido na semi-clandestinidade, afastada do serviço público por razões políticas.

 Durante seu afastamento faz uma profunda leitura reflexiva das obras de Spinoza, material publicado em seu livro "Cartas a Spinoza" em 1995.

Em 1944 inicia seu trabalho no "Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II", no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, onde retoma sua luta contra as técnicas psiquiatricas que considera agressivas aos pacientes.

Por sua recusa em aplicar eletrochoques nos pacientes, Nise é transferida para o trabalho com terapia ocupacional, atividade então menosprezada pelos médicos. Assim, em 1946 funda, nesta instituição, a "Seção de Terapêutica Ocupacional".

No lugar das tradicionais tarefas de limpeza e manutenção que os pacientes exerciam sob o título de terapia ocupacional, ela cria ateliês de pintura e modelagem com a intenção de possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade através da expressão simbólica e da criatividade.

 Em 1952, ela funda o “Museu de Imagens do Inconsciente”, no Rio de Janeiro, um centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos de modelagem e pintura dos internos.

Entre outros artistas-pacientes podemos citar: Adelina Gomes; Carlos Pertuis; Emygdio de Barros, e Octávio Inácio.

Este valioso acervo alimentou a escrita de seu livro "Imagens do Inconsciente", como também a participação em exposições significativas, como a "Mostra Brasil 500 Anos".

Entre 1983 e 1985 o cineasta Leon Hirszman realizou o filme "Imagens do Inconsciente", trilogia mostrando obras realizadas pelos internos a partir de um roteiro criado por Nise da Silveira.

Em 1956, Nise cria um projeto revolucionário: a Casa das Palmeiras. Uma clínica voltada à reabilitação de antigos pacientes de instituições psiquiátricas. Neste local podem diariamente expressar sua criatividade, sendo tratados como pacientes externos numa etapa intermediária entre a rotina hospitalar e sua reintegração à vida em sociedade.

Foi uma pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais, que costumava chamar de co-terapeutas.

Percebeu esta possibilidade de tratamento ao observar como um paciente a quem delegara os cuidados de uma cadela abandonada no hospital melhorou tendo a responsabilidade de tratar deste animal como um ponto de referência afetiva estável em sua vida.

Em 1998 ela expõe parte deste processo em seu livro "Gatos, A Emoção de Lidar".

Nise da Silveira introduziu no Brasil a psicologia junguiana.  Em 1954 Nise escreveu à Carl Gustav Jung, iniciando uma proveitosa troca de correspondencia.

Jung estimulou Nise a fazer uma mostra das obras de seus pacientes que recebeu o nome "A Arte e a Esquizofrenia", ocupando cinco salas no "II Congresso Internacional de Psiquiatria", realizado em 1957, em Zurique. Há uma foto histórica deste evento, em que Jung aponta para uma mandala de Carlos, um dos mais fecundos pintores do ateliê de Nise. Esta foto foi ampliada, de forma que ficasse focalizada a mão de Jung no centro da mandala. Jung autografou esta ampliação; Nise guardou-a com carinho até o dia 30 de outubro de 1999, quando foi fazer suas revoluções no infinito...

Retornando ao Brasil após seu primeiro período de estudos jungianos, formou em sua residência o "Grupo de Estudos Carl Jung", que presidiu até 1968.

Em 1968, é publicado a primeira edição do livro “Jung: vida e obra”.

Em reconhecimento a seu trabalho, Nise foi agraciada com diversas condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento, entre outras:

•    "Ordem do Rio Branco" no Grau de Oficial, pelo Ministério das Relações Exteriores, (1987);

•    "Prêmio Personalidade do Ano de 1992", da Associação Brasileira de Críticos de Arte;

•    "Medalha Chico Mendes", do grupo Tortura Nunca Mais, (1993);

•    "Ordem Nacional do Mérito Educativo", pelo Ministério da Educação e do Desporto, (1993);

Seu trabalho e idéias inspiraram a criação de museus, centros culturais e instituições terapêuticas em diversos estados do Brasil e no exterior, por exemplo:

•    O "Museu Bispo do Rosário", da Colônia Juliano Moreira, (Rio de Janeiro);

•    O "Centro de Estudos Nise da Silveira", (Juiz de Fora, Minas Gerais);

•    O "Espaço Nise da Silveira" do Núcleo de Atenção Psico-Social, (Recife);

•    O "Núcleo de Atividades Expressivas Nise da Silveira", do Hospital Psiquiátrico São Pedro, (Porto Alegre, Rio Grande do Sul);

•    A "Associação de Convivência Estudo e Pesquisa Nise da Silveira", (Salvador, Bahia);

•    O "Centro de Estudos Imagens do Inconsciente", da Universidade do Porto (Portugal);

•    A "Association Nise da Silveira - Images de L'Inconscient", (Paris, França);

•    O "Museo Attivo delle Forme Inconsapevoli". (Genova, Itália).

O antigo "Centro Psiquiátrico Nacional" do Rio de Janeiro recebeu em sua homenagem o nome de "Instituto Municipal Nise da Silveira".

Obras Principais:

•    Jung: vida e obra, 1968;

•    Imagens do inconsciente, 1981;

•    Casa das Palmeiras. A emoção de lidar. Uma experiência em psiquiatria, 1986;

•    O mundo das imagens, 1992;

•    Nise da Silveira, 1992;

•    Cartas a Spinoza, 1995;

•    Gatos, A Emoção de Lidar, 1998.
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