Estado de Alagoas

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

» Página Inicial Sala de Imprensa Notícias 2019 novembro Inclusão: Mostras do Circuito Penedo de Cinema têm tradução em Libras
29/11/2019 - 12h20m

Inclusão: Mostras do Circuito Penedo de Cinema têm tradução em Libras

Inclusão: Mostras do Circuito Penedo de Cinema têm tradução em Libras

Texto de Tayane Barreto

Desde 2015, a Sala de Exibições do Circuito Penedo de Cinema conta com a presença de tradutores e intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais) durante sessões de curtas-metragens. Nessa edição, além das mostras Infantil e Ambiental tradicionalmente contarem com esse recurso, a acessibilidade linguística foi ampliada para duas mostras competitivas: os Festivais de Cinema Brasileiro de Penedo e Universitário de Alagoas. E ainda como novidade desse ano, o filme Turma da Mônica – Laços, na sessão de 14h do próximo sábado (30), contará com a tradução simultânea ao vivo.

De acordo com o coordenador do Circuito, Sérgio Onofre, em função de este ser um evento de educação e cultura promovido por instituições públicas, as atividades ofertadas devem atender ao maior espectro possível de público, tanto nas questões econômicas, quanto aos aspectos de deficiências físicas e motoras. “O acesso à cultura, ao conhecimento, à produção que a humanidade vem construindo ao longo de sua existência é um direito de todo mundo”, destacou. 

Ele explicou que, num primeiro momento, o evento prezou pela acessibilidade arquitetônica e, em seguida, pela inclusão nas comunicações. “Desde o início, o evento é todo feito no chão, com o mínimo de plataformas, de degraus, para toda e qualquer pessoa com dificuldade de locomoção, seja por idade, seja por alguma deficiência física. E num segundo momento a gente vem conseguindo fazer, há cinco anos consecutivos, a tradução em libras, presencialmente, ao vivo”, disse.

Joseane do Espírito Santo, intérprete e professora de Libras da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), reforçou a importância de fazer um evento com inclusão social: “A gente compreende que pessoas com deficiência já vivem à margem da sociedade. Então nossa proposta é tornar o ambiente acessível para que eles sintam também essa energia positiva, essa alegria que a gente tem, e possam participar da programação”.

 

A inclusão social tem alcançado metas no país, tanto por meio de leis e políticas públicas, quanto por ações de conscientização sobre esta necessidade. Apesar disso, ainda há um longo caminho a percorrer quando se fala em democratização do cinema e da cultura. A acessibilidade visual não é uma realidade efetivamente concretizada nas salas de cinema. 

 

Porém, para o Circuito, é algo que já está sendo requisitado para as próximas edições. “Nós pretendemos ampliar [a disponibilidade do intérprete de Libras], não só nas mostras, mas também colocar nos longas-metragens e colocar a audiodescrição”, explicou Joseane.

Para ela, não importa se haverá demanda para usufruir da acessibilidade, o essencial é oferecer o recurso, sobretudo para atrair esse público específico. “Nós trabalhamos com a ideia de que independentemente, se vai ter surdo, cego ou cadeirante, uma pessoa com deficiência ou necessidade especial, o cinema tem que estar acessível”, enfatizou. 

 

O intérprete Tiago Santos, que atua no Circuito Penedo desde 2016, acredita que seu trabalho no evento é fundamental, e completou: “A Ancine [Agência Nacional do Cinema] determina desde 2016 a inclusão do intérprete na sala de cinema. É muito importante para a democracia do país e é essencial para a inclusão social”.

 

Infantil

Além dessa preocupação com a inclusão, durante a Mostra de Cinema Infantil, foi transmitido o curta-metragem “Min e as mãozinhas”, todo feito em Libras. Segundo o produtor da Mostra, Fernando Artur, neste ano a produção exibiu um episódio que tem a participação do personagem Hugo, do aplicativo alagoano Hand Talk. Durante o desenho, os intérpretes inverteram suas funções e fizeram a dublagem dos personagens.

 

A estudante Maria Beatriz tem nove anos de idade e estava presente em mais de um dia na Mostra de Cinema Infantil. Ela contou que sua avó é surda e por causa disso, precisou aprender Libras desde os cinco anos. Afirmou também ter conseguido entender os gestos do filme “Min e as mãozinhas” e achava legal ter o intérprete ali presente, pois eles não só traduziam, mas ensinavam alguns sinais às crianças.

 

Legislação 

 

A Instrução Normativa nº 128/2016 estabelece que “as salas de exibição comercial deverão dispor de tecnologia assistiva voltada à fruição dos recursos de legendagem, legendagem descritiva, audiodescrição e LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais”. Ainda de acordo com esta Instrução, as empresas de distribuição devem disponibilizar para as empresas de exibição do produto cinematográfico os recursos de acessibilidade em todas as cópias da obra.

 

A Instrução Normativa nº 132/2017 determina que todos os projetos de produção audiovisual financiados com recursos públicos federais geridos pela Ancine deverão contemplar nos seus orçamentos os serviços de acessibilidade. Até janeiro de 2020, todas as salas de cinema do Brasil terão de ser acessíveis para pessoas com deficiência auditiva e visual, conforme Instrução Normativa da Ancine.

 

Circuito 

 

O Circuito é uma realização do Instituto de Estudos Culturais, Políticos e Sociais do Homem Contemporâneo (IECPS), da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com patrocínio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), da Prefeitura de Penedo e do Sebrae Alagoas.

 

Ações do documento