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29/02/2020 - 19h55m

Com uma história de mais de 30 anos, André Joaquim é referência na realização de apresentações de guerreiro

O chapéu de Guerreiro é símbolo da nossa cultura e é reconhecido nacionalmente como peça típica alagoana.

Com uma história de mais de 30 anos, André Joaquim é referência na realização de apresentações de guerreiro

Passou a ser conhecido como Mestre André em 2011, quando foi reconhecido pelo Governo do Estado como Mestre do Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas. Foto Tércio Campello

O Mestre do Guerreiro

Com uma história de mais de 30 anos, André Joaquim é referência na realização de apresentações de guerreiro  

 

 “Ô que saudade quando o Guerrêro partiu
Quando seguiu dessa zona ispiciá,
Eu vou deixá tanta morena bonita
Que meu coração parpita mas eu não posso leva”

 

Alagoas é o Estado que possui a maior diversidade na cultura popular. Estudos apontam que possuímos em nosso folclore, quatorze folguedos natalinos, dois folguedos de festas religiosas, oito folguedos carnavalescos, sendo quatro com estrutura simples, três danças e dois torés, totalizando vinte e nove folguedos e danças alagoanas.

É no brilho e colorido do folguedo natalino do Guerreiro que os alagoanos se sentem representados culturalmente. O chapéu de Guerreiro é símbolo da nossa cultura e é reconhecido nacionalmente como peça típica alagoana.

As roupas rementem aos antigos trajes europeus. A decoração do figurino ganha fitilhos, contas, enfeite natalinos e os famosos chapéus fazem alusão às igrejas, palácio e catedrais.

O folguedo genuinamente alagoano surgiu entre os anos de 1927 e 1929, e canta a chegada do messias e homenageia os três reis magos. Considerado um dos folguedos mais antigos presente no estado de Alagoas, o grupo composto por dançadores e cantores, representa a fusão das manifestações folclóricas de Reisados alagoanos, da Chegança, dos Pastoris e do Auto das Caboclinhas. Os trajes são multicoloridos, usando-se fitas, espelhos, diademas, mantos e aljôfares. Possui em média 36 personagens. São rei, rainha, índio, Peri e seus vassalos, lira, palhaço, embaixadores, Mateus, mestre, contramestre e demais figurantes que encenam dezenas de episódios.

Entre cores, fitas, chapéus e trajes, é assim que o Guerreiro se despede ao encerrar suas apresentações. No guerreiro, o papel do Mestre é ser responsável por todos no grupo, ele ensina e coordena, conduzindo-os pelo canto, tropel e a grosa. Sendo o primeiro a ser visto, demonstra logo o brilho e o mundo multicolorido que é ser um Mestre de Guerreiro.

André Joaquim dos Santos, nascido em São Miguel dos Campos, ainda muito pequeno foi morar em Olho d’Água das Flores, no sertão alagoano. E foi em Palmeira dos Índios que entrou em contato pela primeira vez com o Guerreiro da Mestra Zefa Bispo, no qual começou a dançar como figurante. Depois assumiu os personagens Mateu, índio Peri e Embaixador.

Ao vir para Maceió, não queria encerrar sua participação no Guerreiro.  Conheceu José Tenório, um dos criadores do grupo Treme Terra de Alagoas, no Jacintinho, que o convidou para dançar de contra-mestre. Em seguida, formou um grupo no conjunto habitacional do Eustáquio Gomes no Tabuleiro, comandado pelo mestre Jorge Ferreira e em seguida pelo mestre Juvenal Leonardo e também Artur Morais, que fazia o Mateu.

O caminho foi longo e, mesmo com o entusiasmo e alegrias dos ensaios, ainda faltavam roupas, acessórios e os chapéus. Com ajuda e até mesmo produção própria, o grupo foi se enquadrando no vestuário e hoje conta com cerca de 42 peças.

Passou a ser conhecido como Mestre André em 2011, quando foi reconhecido pelo Governo do Estado como Mestre do Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas. Aos 73 anos, seu desempenho cultural no grupo Guerreiros Mensageiros Padre Cícero de Maceió, no Tabuleiro dos Martins, reúne cerca de 30 pessoas entre 12 e 50 anos, mantendo viva a tradição do folguedo.

Apaixonado pela cultura popular, mestre André também brinca o carnaval, vestido de La Ursa, entremeio do guerreiro, e espalhando alegria em todas as estações.

 “O principal objetivo é não deixar a tradição morrer, que as canções e danças sejam passadas de geração em geração transmitido a cultura popular alagoana para crianças e jovens”, disse o Mestre André.

As apresentações do guerreiro Mensageiros Padre Cícero do mestre André já foram vistas em Penedo, Atalaia, Pilar, Marechal, Satuba, Coqueiro Seco e Viçosa, além dos bairros do Tabuleiro, Jacintinho, Eustáquio Gomes, Rosane Collor, Santos Dumont, Benedito Bentes, Bebedouro, Trapiche e Vergel em Maceió.

Registro do Patrimônio Vivo

É considerada Patrimônio Vivo de Alagoas a pessoa que detenha os conhecimentos e técnicas necessárias para a preservação dos aspectos da cultura tradicional ou popular de uma comunidade.

Os mestres devem ter os trabalhos estabelecidos no estado há mais de 20 anos, repassando às novas gerações os saberes relacionados a danças e folguedos, literatura oral e/ou escrita, gastronomia, música, teatro, artesanato, dentre outras práticas da cultura popular que vivenciam.

Atualmente, quarenta mestres da cultura popular alagoana fazem parte do Registro do Patrimônio Vivo. O RPV foi estabelecido através da Lei Estadual nº 6.513/04, posteriormente alterada pela Lei nº 7.172/10. Os contemplados recebem, mensalmente, uma bolsa no valor de um salário mínimo e meio, concedida pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura.

 

 
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