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30/01/2020 - 10h35m

No Dia do Quadrinho Nacional conheça algumas histórias de quadrinistas e leitores embaladas pelo gênero em Alagoas

30 de Janeiro foi escolhido como data comemorativa devido ao fato de ter sido nesse dia, no ano de 1869, que foi publicada a primeira história em quadrinho brasileira

No Dia do Quadrinho Nacional conheça algumas histórias de quadrinistas e leitores embaladas pelo gênero em Alagoas

Amaro exibe suas HQs, entre elas a premiada “Preto que nem Carvão!”. Foto: Arquivo Pessoal.

Texto de Júlya Rocha

Foi através deles que muitos heróis saíram do papel e foram parar na tela do cinema. Para quem já sabe o que é história em quadrinhos, fica fácil lembrar da Mônica, do Cebolinha, do Cascão e da Magali, personagens da Turma da Mônica, criados pelo Maurício de Sousa. Têm também os super-heróis como o Batman, o Super-Homem, o Incrível Hulk e os X-Men.

Ao lado da televisão, do rádio, do cinema e da imprensa, as histórias em quadrinhos tornaram-se uma das mais importantes formas de expressão. Só depois de conquistar o público infantil, elas foram invadindo diversos gêneros, da aventura científica ao terror. Em 30 de janeiro comemora-se o Dia do Quadrinho Nacional. A explicação para a escolha da data está no fato de ter sido nesse dia, no ano de 1869, que foi publicada a primeira história em quadrinho brasileira, “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, de autoria do cartunista Angelo Agostini.

            O quadrinista, e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Amaro Xavier, é um apaixonado pelo gênero que entrou em sua vida quando ainda era criança, como suas primeira leituras, que pouco a pouco foram se tornando incessantes e crescentes. “No início da década de 1990, participei da criação de uma Associação de Colecionadores de Quadrinhos em Recife (PE), a primeira Ong a se oficializar com CNPJ e atuação envolvendo atividades sobre quadrinhos. Fizemos exposições, palestras nas escolas, cursos de produção e escrevíamos textos para os jornais e revistas defendendo os quadrinhos como linguagem autônoma, expressão artística e atividade cultural”, conta o quadrinista.

            Suas leituras preferidas nas HQs sempre foram os super-heróis da Marvel Comics, e, como sempre esteve muito envolvido nesse meio, Amaro continua produzindo. “Acredito que você não pesquisa algo sem se envolver por completo. No momento tenho três álbuns em processo de produção junto a desenhistas de várias partes do Brasil. Inclusive, com alunos da Ufal e desenhistas do coletivo Studio Pau-Brasil de quadrinistas de Maceió. Um das HQs mais impactante emocionalmente foi o álbum ‘Preto, que nem Carvão!’, feito com alunas da Ufal, onde quadrinizamos histórias de preconceito social e racial reais. Várias destas histórias foram premiadas nacionalmente. E também AfroHQ que foi um dos mais prazerosos de fazer”, relembra.

 

Preto capa 2

 

            Hoje o cenário brasileiro de HQS é uma cena muito mais positiva do que a que encontrávamos há 30 ou 20 anos atrás. Há muitos espaços para a atuação e muitos quadrinistas conseguem publicar por diversos meios sem a necessidade de editoras ou mediadores. “São muitos eventos, plataformas de crowdfunding como o catarse e o kickstart que possibilitam as publicações. Além da internet que, realmente, permitiu que o público chegasse até os produtores de quadrinhos, nos blogs, pelo Facebook e  Instagram”, avalia o professor que chama atenção para um fato importante. “O que às vezes as pessoas não entendem é que não é tão fácil achar quadrinhos brasileiros nas bancas, mas é porque circulamos em outros sistemas, nos eventos, na internet, pelos correios. Nosso cenário é outro! Não estar nas bancas não quer dizer que não existe produção ou qualidade”.

Como produtor e consumidor de HQs, ele ressalta a importância de se comemorar a data. “É importante ter uma data para lembrar que o Brasil é um dos pioneiros na produção de quadrinhos no mundo. E que esta linguagem, ainda na época atual, conquista muitos leitores. Mas é uma verdade que boa parte da fama e acesso a estes materiais ocorre com quem faz charge, cartum e tirinha. Quem desenha páginas e álbuns completos de quadrinhos ainda é desconhecido ou pouco lido. Ou pior, não ganha o suficiente para que esta atividade seja sua ‘profissão’. Ainda temos muitas pessoas que se dedicam à produção de quadrinhos que precisam de reconhecimento, esta data serva para nos lembrar destas pessoas. Homens e mulheres que dedicaram toda uma vida para compartilhar sua visão de mundo e incentivar esta forma artística de entretenimento e informação que tão carinhosamente chamamos de quadrinhos. Pequenos no formato, mas grandes na historia e no impacto que provocam nas nossas vidas”, encerra.

Atravessando Gerações

É natural que as HQS ganhem corações de pessoas ainda jovens. Visto como uma leitura mais leve, ilustrada e sequenciada, é o gênero que, muitas vezes, acaba apresentando ao público infanto-juvenil o mundo da literatura. Foi o caso Gilson Arruda, de 35 anos, que conheceu os quadrinhos em 1995. “Quando criança eu não tinha condições de comprar quadrinhos, então eu guardava o que achava na rua. Também lia muito na gibiteca da escola. Consumia vários temas, mas o que me ganhou mesmo foi o do Homem-Aranha”, conta.

 

Gilson

Leitor apaixonado que é, Gilson coleciona mais de 1000 exemplares, de diversos gêneros e editoras, das mais antigas às novas. O interesse pelos quadrinhos passa de forma espontânea, para a sua filha. “A Júlia ainda não sabe ler, mas já folheia alguns exemplares de super-heróis. Já notei que ela tem uma afinidade maior com o quadrinho da Supergil”, explica.

 

Apesar do universo HQ ter uma grande visibilidade nas mídias digitais, Gilson, como a maioria dos colecionadores, têm apego ao exemplar físico. Como consumidor ele deixa a sua visão sobre a produção regional. “Existe muitos quadrinistas bons aqui no Estado. A prova disso é o exemplar Alagoas Sequencial, que reúne algumas histórias produzidas por eles. É um potencial indiscutível, mesmo que ainda pouco conhecido por aqui”, opina.

 

Gilson 2

 

 

Em Alagoas

Fruto do Prêmio Alagoas de Histórias em Quadrinhos, concurso lançado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos em 2011, o livro Alagoas Sequencial, reúne histórias que têm uma amostra significativa da diversidade de estilos e gêneros dos quadrinistas, amadores ou não, atuantes no Estado.

Para incentivar a criatividade dos roteiristas e desenhistas que participaram do concurso, o edital não impôs tema e, desta forma, permitiu que cada um transitasse pelo roteiro preferido. Folhear as páginas de Alagoas Sequencial , é também fazer um passeio pela inventividade de cada um dos autores de Starknight, Orquídea, Sorte Grande, Histórias de Alexandre, A pega, Preto que nem Carvão e Menino Cuscuz.

Vale lembrar que a Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, equipamento cultural da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), recebeu uma coleção de cerca de 50 HQs. O material hoje compõe um espaço dedicado ao público juvenil, acessível para toda população. “É mais uma forma de aproximar os jovens da leitura e de tudo que esse mundo literário representa”, explica  a diretora do equipamento, Mira Dantas.

O Alagoas Sequencial pode ser adquirido nas lojas física e virtual da Imprensa Oficial Graciliano Ramos e também está disponível para leitura na Biblioteca.

 

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