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28/11/2021 - 16h00m

Aplausos e protestos antirracistas marcam a exibição de “Doutor Gama” na penúltima noite do Circuito de Cinema

Obra retrata a luta do advogado Luiz Gama em defesa do povo preto

Aplausos e protestos antirracistas marcam a exibição de “Doutor Gama” na penúltima noite do Circuito de Cinema

No penúltimo dia do Circuito Penedo de Cinema, a sala de exibição, localizada na praça 12 de abril, estendeu seu tapete vermelho para o longa “Doutor Gama”. A produção retrata a história do Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil, Luiz Gozaga Pinto da Gama. Estrelado pelos atores Angelo Fernandes, César Mello e Erom Cordeiro, o filme traz a representatividade negra e evidencia as lutas travadas pelo advogado abolicionista.

Com o objetivo de conversar e introduzir ao público um pouco sobre a história de Gama e tirar dúvidas sobre o processo de construção do longa, foi realizado um debate que antecedeu a exibição do filme. Trazendo falas necessárias à realidade atual, os atores evidenciaram a importância do movimento do povo preto e afirmaram que “Doutor Gama” é só mais uma extensão dessa mobilização.

Durante a roda de conversa, foi debatido sobre o lugar de ocupação do negro no processo de elaboração da produção, uma vez que parte da equipe técnica é formada por pessoas negras.

“A partir do momento que eu tenho um diretor negro, uma produtora executiva negra, um roteirista negro, tenho pessoas do áudio negras, um figurinista negro, eu me sinto mais à vontade para trabalhar porque eu sei que essa pessoa vai contar a história com propriedade, ela não vai contar como uma pessoa branca, então esse momento se deve a ocupar esse lugar, o poder da caneta. Então, se der esse poder pra gente, a gente vai chegar (…) e isso mostra importância que o cinema negro tem”, relata o ator Angelo Fernandes.

Retaliando o protagonismo branco, o longa escancara a necessidade de evidenciar um personagem que, mesmo contribuído para o desenvolvimento sociopolítico do país e com seus trabalhos trazendo conceitos angulares à formação do movimento negro, sofre um processo de apagamento histórico.

O longa, reproduzido no sábado (27), lotou a sala de exibição e arrancou do público presente longos e emocionados aplausos, além de gritos de protestos antirracistas, contra o governo e a máxima “Vida negras importam”.

Confira o debate na íntegra aqui.

O verdadeiro Doutor Gama

Nascido no estado da Bahia e como um homem livre, com seus 10 anos de idade, Luiz Gama foi vendido por seu pai a um mercador de escravos, como forma de saldar dívidas. Apesar de ter passado a viver escravizado, Gama possuía curiosidade e vontade de aprender, sendo descrito como um autodidata.

Aos 17 anos e já letrado, viu nas brechas das leis imperiais a possibilidade de sua alforria e assim, após lutar na justiça, se tornou liberto. Mesmo sendo conhecido por seus variados campos de atuação, Luiz Gama se destacou na advocacia, defendendo e lutando na justiça pela liberdade do povo escravizado.

Embora sendo dotado de uma mente brilhante, o também jornalista, foi impedido de se matricular na faculdade de direito, devido a retaliações de professores e alunos, participando apenas como ouvinte. Apesar da proibição, o baiano conseguiu uma autorização do judiciário para exercer a advocacia como rábula, prática comum à época, concedida àqueles que não tinham formação jurídica. Somente em 2002, após 120 anos de seu falecimento, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reconheceu seu registro de advogado.

Luiz Gama, tornou- se o patrono da abolição da escravidão e sua luta se reverbera pela contemporaneidade, dando respaldo às reivindicações do povo preto brasileiro que ainda sofre com as mazelas deixadas pelo período escravocrata.

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