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25/06/2016 - 09h15m

Milagre da vida continua nas mãos abençoadas da parteira do Mumbaça

Aos 83 anos, dona Odete é a parteira mais famosa da região. Sozinha, já realizou o parto de cerca de mil crianças

Milagre da vida continua nas mãos abençoadas da parteira do Mumbaça

Dona Odete, 83 anos, é a parteira mais famosa da região; já as irmãs Cássia Barbosa e Katiely Barbosa produzem artesanato para sobreviver; na sequência de imagens, família de dona Maria Irene dos Santos espera ações do Governo no lugar (Paulo Rios)

Texto de Paula Nunes

A série de reportagens sobre o quilombo Mumbaça encerra contando um pouco da história de outros personagens importantes no dia dia da comunidadeAlém de dona Cliselídia, o quilombo Mumbaça conta com outra mulher distinta. Trata-se de dona Valdinete Messias, conhecida como Odete. Aos 83 anos, ela é a parteira mais famosa da região. Sozinha, já realizou o parto de cerca de mil crianças. “Faço isso desde os meus 21 anos, aprendi sozinha, acredito que seja um dom”, diz.

Na comunidade, a maioria dos partos foi realizada por ela. Só da dona de casa Lucelina dos Santos, de 40 anos, a aposentada realizou os partos dos seus 11 filhos. “Eu vou a hora que as pessoas precisam. Nunca fui em hospital, aprendi sozinha, foi um dom. Nunca tive filhos, criei um dos que eu fiz o parto e que perdeu a mãe. São curiosidades da vida que ninguém sabe explicar. Sou feliz por viver toda minha vida neste local. Só precisamos ser mais assistidos”, destaca a parteira.

As irmãs Cássia Barbosa, de 32 anos, e Katiely Barbosa, de apenas 12 anos, também são exemplos de dignidade e de resistência para superar as dificuldades no Quilombo Mumbaça. Elas produzem o artesanato para ajudar no sustento da casa.

 

 

Após a morte dos pais, Cássia, desde então responsável pela família, trabalha mais de 20 horas diárias para sustentar sete pessoas, entre irmãos e sobrinhos que moram na residência deixada pelos pais. O artesanato é um marco na geração da família das irmãs. Cássia aprendeu com a mãe quando tinha apenas oito anos. Ela ensinou a irmã, que atualmente também passa o que aprendeu para o sobrinho, de apenas seis anos de idade.

“Nós lutamos muito, mas também amamos fazer nosso artesanato, nossas costuras. Vendemos tudo em Propriá, cidade de Sergipe, porque na região as pessoas não valorizam o artesanato próprio. Nossos bordados são baratos, custam aproximadamente R$ 12 cada peça, por isso precisamos produzir muitas para conseguir ter o que comer”, conta.

 

 

Governo do Estado ofertará em breve serviços à comunidade para amenizar sofrimento

O quilombo Mumbaça será a próxima localidade que vai receber o Dia D do Governo Presente, ação do Governo de Alagoas, que reúne diversas atividades voltadas para saúde, lazer e cidadania da população alagoana. Os moradores estão ansiosos com a chegada da ação no município e regiões circunvizinhas.

A família de dona Maria Irene dos Santos, de 58 anos, precisa utilizar alguns serviços do Dia D, como o casamento coletivo. A filha de Maria, a jovem Mariete dos Santos, de 27 anos, sonha com o casamento, além disso, também precisa retirar alguns documentos. Dona Maria explica que para conseguir é necessário se deslocar ao centro da cidade, em Traipu ou Propriá, que sai caro e é longe.

Segundo ela, o Dia D do Governo Presente será muito importante. “Já estamos esperando ansiosamente pela ação do governo, que vai trazer dignidade para nós. A necessidade é imensa para nossa comunidade. Somos esquecidos e assim, quem sabe, seremos relembrados”, finaliza a dona de casa.

 

 

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