Estado de Alagoas

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

» Página Inicial Sala de Imprensa Notícias Mupa: um passeio pela história, cultura e arte do povo alagoano
24/10/2015 - 10h25m

Mupa: um passeio pela história, cultura e arte do povo alagoano

Com mais de cem anos de história, o Museu Palácio Floriano Peixoto é uma das maiores representações culturais de Alagoas

Mupa: um passeio pela história, cultura e arte do povo alagoano

Quando transformado em museu, em 2006, o espaço, além de expor e reunir a história dos governadores de Alagoas, passou a expor também a riqueza cultural do estado (Foto: Thiago Sampaio)

Rafaela Pimentel

Fotos: Thiago Sampaio

Um passeio diferente pelas terras de Ledo Ivo, as palavras de Aurélio Buarque de Holanda misturados com representações culturais de todos os tipos e mais de cem anos de muita história. Quando você entra no Museu Palácio Floriano Peixoto, o sentimento é de (re) descoberta. Logo de cara, as obras dos artistas alagoanos recepcionam quem vai chegando; mais na frente as longas escadas do antigo Palácio do Governo levam os visitantes direto para o século XX.

 

É entre as telas do alagoano Rosalvo Ribeiro, os móveis de madeira e os famosos utensílios de prata, que os detalhes menos conhecidos da vida dos ex-governadores vão sendo recontados. Os banquetes, festas, brigas e reuniões importantes não passam despercebidos. Aos poucos, o choque entre a arquitetura rústica do prédio e as modernas exposições e galerias atrai os olhares mais curiosos, que se deixam levar pela arte nas suas mais diferentes formas. 

 Cada ambiente combina entre si. O lustre no antigo salão nobre, por exemplo, desperta a imaginação dos visitantes para as histórias do desaparecimento de objetos levados pelas ex-primeiras damas, já as mobílias lembram como eram os encontros e a vida particular das famílias da época. Na bancada superior, a vista da Igreja Bom Jesus dos Martírios conta a história da única obra construída por trabalho escravo em Maceió e que depois ia dar nome a praça e ao Palácio Floriano Peixoto.  

 Quando foi transformado em Museu, em 2006, pelo decreto do então governador Ronaldo Lessa, o espaço queria mais do que manter e expor a vida dos ex-governadores, mas, divulgar a história de Alagoas entre a população e porque não, para os turistas. O movimento cresceu e a cultura foi ganhando mais espaço e atenção entre o cenário de praias, sol e mar do Estado de Alagoas. O turismo conquistou um parceiro importante para suas atividades. Do total de 620 visitas apenas no mês de setembro, 136 foram de turistas.

 “A procura espontânea dos equipamentos culturais tem nos surpreendido bastante. É muito interessante observar essa transformação em tão pouco tempo, a gente sente esse avanço no fluxo de turistas que frequentam o museu. As ferramentas culturais são muito importantes não apenas para a parte turística, mas na construção intelectual da sociedade”, comemora a coordenadora do Mupa, Izabel Maia.

Os pacotes de passeios turísticos para os museus são uns dos primeiros a esgotar. O movimento já começa no fim da tarde das quintas-feiras, quando o fluxo de turistas chega a dobrar. Porém, mesmo com a crescente assiduidade dos visitantes de fora do Estado, o maior público do Museu continua sendo alunos de escolas de Maceió.

Com grupos de todas as idades, cada história vai sendo contada para entreter os mais diferentes públicos. A linguagem mais lúdica chama a atenção das crianças para os segredos escondidos em cada ambiente, já as revelações de detalhes mais secretos da vida das famílias é o momento mais esperado pelos jovens.

E se na cultura não existe distinção entre seus admiradores, os diferentes ambientes do Mupa vão acolhendo cada visitante com suas cores, artes e expressões singulares.  Se na galeria, as obras de artistas locais transportam o público para o mundo do grafite, escultura, pintura e da caricatura, é nos memoriais que o lado moderno do Museu está mais presente. Lá é possível conhecer a história, as obras e a vida de dois grandes talentos alagoanos: Lêdo Ivo e Aurélio Buarque de Holanda.

 Três ambientes e muitas histórias

De Passo do Camaragibe para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, o alagoano Aurélio Buarque de Holanda, criador do famoso dicionário Aurélio, foi a inspiração para um dos memoriais do Mupa. Os pertences doados pela esposa do escritor e uma edição especial do seu grande legado, um dicionário Aurélio de 1975, levam o público direto para um mergulho na literatura alagoana. O manuscrito deixado por ele é uma espécie de revelação para os visitantes do passo-a-passo de Aurélio na construção de sua obra mais conhecida. 

 Chegando na antiga ala dos quartos infantis a admiração fica estampada na cara de todos os visitantes. Hoje abrigando segundo memorial do Mupa, a área é a mais abstrata e moderna do Museu.

 Para homenagear o alagoano Lêdo Ivo, documentários sobre a vida do poeta são transmitidos no local, que é o mais aguardado pelas crianças. Os poemas escritos ao contrário chamam a atenção de quem vai entrando no espaço. A proposta é de interação: através dos espelhos distribuídos pelo ambiente, os visitantes vão descobrindo as palavras de Ledo em cada reflexo da sala.

 “É gratificante ver a resposta das pessoas quando vamos desvendando cada ambiente e aos poucos contando as histórias por trás dos objetos de cada sala”, revela Jéssica Mendonça, monitora do Mupa e responsável pelas visitações.

 “As crianças são as mais entusiasmadas, elas sempre fazem perguntas inusitadas. Vamos relembrando junto com os visitantes e às vezes acabamos descobrindo novas histórias também. É uma troca”, disse a monitora.

 Com a proposta de dinamizar, modernizar e oportunizar a questão cultural no Estado de Alagoas, foi criado o terceiro espaço do Museu, a galeria do Mupa. É nesse ambiente que artistas de segmentos variados têm a oportunidade de expor, divulgar e, sobretudo, vender suas obras.

 Para atender essa demanda, anualmente são organizadas até oito exposições reservadas para os candidatos escolhidos, fora dois eventos nacionais fixos determinados pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), a Semana dos Museus e a Primavera dos Museus.

 De acordo com Izabel Maia, a galeria atua na diversificação da produção cultural entre os alagoanos. “Direcionamos esse espaço para encontros ligados a fotografia, artes plásticas, pintura, apresentações. É um momento para oportunizarmos. Vamos fechar o ano de 2015 com eventos de destaque no setor, a exposição em homenagem ao mês das mulheres, por exemplo, foi sucesso de público; enquanto que as peças do santeiro Timaia foram quase todas vendidas antes mesmo de concluir a exposição”, destaca a coordenadora do Mupa.

 Para participar como expositor o processo é simples, basta que o artista se candidate no site da Secretaria de Estado da Cultura (www.secult.al.gov.br), na área destinada ao Museu Palácio Floriano Peixoto.

 Os critérios de seleção não estão baseados no reconhecimento do artista, mas sim, na apresentação de um material interessante, como explica Izabel Maia. “Depois de inscritas, as obras ainda passam por uma comissão de curadoria do Museu, que analisa todas as peças e então escolhem os artistas para expor”.

 Como tudo começou

 O atual Museu Palácio Floriano Peixoto foi por mais de cem anos sede do governo do Estado de Alagoas e residência das famílias dos ex-chefes dos executivos. Construído de 1893, o Palácio só teve suas obras concluídas em 1902.

 Foi no mandato do ex-governador Ronaldo Lessa, em 2007, que o então Palácio do Governo se transformou em Museu a fim de preservar a história política, social e cultural do Estado na lembrança dos alagoanos.

 

Por conta da sua importância histórica, o ambiente se mantem até hoje como sede de algumas reuniões e encontros oficiais entre o governador, vice-governador e alguns secretários do Estado. O salão do despacho e a antiga sala dos banquetes, no andar superior do Museu, ainda são frequentados pelas autoridades e recebem momentos solenes. Além de reuniões do governo, o espaço também é atual sede da Secretaria do Estado da Cultura (Secult).

Serviço

 Museu Palácio Floriano Peixoto

 Horário de funcionamento: de terça a sexta-feira, das 9h às 16h

 Endereço: Praça Marechal Floriano Peixoto (Praça dos Martírios), 517 – Centro

 Contato: (82) 3315-7874 e e-mail: mupa.alagoas@gmail.com

As visitas em grupo precisam ser agendadas com antecedência junto a equipe do Museu. 

Ações do documento