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25/01/2016 - 17h10m

Pontal da Barra é berço do singular bordado filé

Bairro preserva atmosfera singular, com rotina voltada para o artesanato e a pesca

Pontal da Barra é berço do singular bordado filé

O bordado filé foi uma técnica herdada dos portugueses ainda no período de colonização, e apropriada pelos pescadores locais às margens da Lagoa Mundaú

Texto: Andressa Alves

Fotos: André Palmeira

 Até que ponto as tradições e costumes de uma região definem a identidade de um povo? Qual a influência dos espaços físicos na construção das relações sociais? Esses questionamentos ganham sentido se direcionados para os moradores do bairro Pontal da Barra, em Maceió, que abriga uma das principais produções artesanais do estado, e, em ruas estreitas e acolhedoras, guarda as belezas e singularidade da tradicional renda filé.

 Mantendo a essência de cidade do interior mesmo dentro da capital, as portas e janelas abertas parecem não apresentar o resto do mundo lá fora. Dão vista apenas para o colorido da aquarela de rendas e bordado que sintetizam a relação dos moradores com o bairro e com o costume da pesca.

 Para Dona Dilma, de 76 anos, a confecção do artesanato em bordado filé, que hoje ganha o mundo e encanta os visitantes, foi uma técnica herdada dos portugueses ainda no período de colonização, e apropriada pelos pescadores locais às margens da Lagoa Mundaú. 

 “O Pontal existe antes mesmo de Maceió, e fomos nós que iniciamos o artesanato de Alagoas. Os primeiros pescadores daqui já faziam suas redes com a renda, e isso passa, até hoje, de mãe para filho, de vó para neto, desde sempre. Pode ser homem, criança, mulher, aqui todo mundo sabe fazer. Isso representa a história desse lugar”, conta Dona Dilma.

 Nascida no bairro, filha de pai pescador e mãe rendeira, a senhora aprendeu aos seis anos de idade o que segue fazendo até hoje. Na produção, as linhas vão ganhando contornos e se transformam em roupas, assessórios, toalhas, jogos de mesa, almofadas, passadeiras, e outros objetos de decoração.

 Para atribuir às peças a representação local e alagoana, as cores dos dias ensolarados e das belezas naturais do estado passaram a compor cada produção.

 “Antes as peças eram só preto e bege. A gente só fazia assim. Mas depois foi colocando umas cores que mostrava nosso lugar, para mostrar que aquilo estava saindo daqui. O amarelo do sol, o azul do mar e o verde da natureza. Tudo tirado do nosso espaço”, afirma, orgulhosa, Dona Dilma.

 A sensação de pertencimento é compartilhada, também, por Guilherme dos Santos, artesão que trabalha com o bordado há 33 anos e procura evidenciar em suas peças os aspectos locais.  

A fim de regularizar a situação dos artesãos, foi criada, em 1988, a Associação dos Artesãos do Pontal da Barra, coordenada atualmente por Lígia Minin. A Associação conta com 400 pessoas associadas, entre homens e mulheres.

Dessa forma, a participação em feiras e eventos passou a acontecer de forma mais organizada, proporcionando maior visibilidade e valorização ao trabalho artesanal.

Além do apoio da Associação, os profissionais são assistidos pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), coordenado em Alagoas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), que, entre outras ações realiza a emissão e renovação da Carteira do Artesão, viabiliza a participação dos profissionais em feiras e eventos nacionais especializados em artesanato e promove a movimentação do Caminhão Alagoas à Mão Itinerante, que circula por todo o estado expondo e comercializando a produção artesanal alagoana.

Em outras linhas

 Apesar de ser o preferido dos turistas e visitantes, o artesanato no Pontal da Barra vai além do bordado filé. Por lá, é possível encontrar, nas lojas e comércio local, peças de outras cidades de Alagoas, como, por exemplo, esculturas em madeira. A renda Renascença, Ponto Cruz, Redendê, Labirinto, Patchwork e Renda de Bilro são outras tipologias encontradas, todas tecidas com habilidade, qualidade e tradição histórica.  

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