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18/07/2016 - 08h28m

Símbolo de resistência negra inspira trabalho de identidade com mulheres da Unidade de Internação

Bonecas Abayomi serão produzidas durante oficina artesanal com as internas; proposta é retomar sentimento de pertencimento à sociedade

Símbolo de resistência negra inspira trabalho de identidade com mulheres da Unidade de Internação

Técnica de tranças ou nós dos retalhos originários da saia das mães africanas acabou inspirando um trabalho de autorreconhecimento e valorização com as mulheres

Texto de Rafaela Pimentel

Foi nos espaços escuros e apertados dos tumbeiros – navios pequenos que realizavam o transporte de escravos entre a África e o Brasil – que as Abayomi surgiram pela primeira vez. Da necessidade de acalentar os filhos durante as viagens à sua consolidação enquanto símbolo de resistência dos povos negros, as bonecas traçaram ao longo deste período uma relação de fortalecimento da identidade afro-brasileira.

Hoje, centenas de anos depois, a técnica de tranças ou nós dos retalhos originários da saia das mães africanas acabou inspirando um trabalho de autorreconhecimento e valorização com as mulheres de Unidade de Internação Feminina do Estado. A proposta é simples: por meio de oficinas manuais provocar nas participantes o sentimento de pertencimento à sociedade, individual e coletivamente.

Em parceria com a Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), o Sebrae e o Instituto Raízes de Áfricas, o projeto reunirá pelo menos 20 jovens e adolescentes na produção de bonecas Abayomi. O significado do nome que em Iorubá, umas das maiores etnias do continente africano, quer dizer ‘encontro precioso’ transporta-se agora para uma realidade cheia de possibilidades e chances de um novo recomeço.

“A partir deste comparativo com a história das mães africanas, queremos retomar esse sentimento do ‘ser pessoa’ nestas jovens. A proposta é mais do que as atividades de oficina, queremos despertar a vontade de ir além deste cenário de privações, discutir resiliência e mostrar simbolicamente através da produção e comercialização dos produtos que é possível reinserir-se na sociedade”, pontua a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros.

Uma vez confeccionadas, os produtos serão ainda destinados para comercialização. A previsão é que a oficina tenha início na segunda semana de agosto.

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