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06/08/2017 - 00h00m

Tradição, bordado Filé faz parte da vida dos artesãos do Pontal da Barra

Bordado se tornou Patrimônio Imaterial de Alagoas em março de 2014

Tradição, bordado Filé faz parte da vida dos artesãos do Pontal da Barra

Bairro do Pontal da Barra é referência do artesanato, na linha de bordados, como Filé, renda e labirinto

Texto de Júlya Rocha

É às margens da Lagoa Mundaú que centenas de mulheres do bairro Pontal da Barra tecem cores, formas e porque não vidas? As mãos habilidosas, muitas vezes acostumadas a trabalhar desde cedo, carregam em si mais que movimentos cravados na memória. São mãos que contam histórias. São contos que têm como enredo o Filé, bordado que, ponto a ponto, desenha e escreve a vida de cada artesã.

 

O Filé é passado como herança entre a maioria das residentes do histórico bairro do Pontal. De mão e mão os produtos, que chamam a atenção de quem passa pelas ruas, ajudam a complementar a renda da maioria das artesãs. Para Dona Tânia, nascida e criada no bairro, o Filé faz parte de sua vida desde seus primeiros passos. 

 

“Na minha família o bordado é passado por gerações, aprendi com minha mãe e avó e passei para todos os meus filhos. É uma cultura que faz parte da minha vida”, afirma a artesã.

 

Para que a tradição continue é preciso lutar por ideais. Esse é o caso da artesã Lígia Mirin, atualmente presidente da Associação dos Artesãos do Pontal da Barra. “Estar à frente da Associação é gratificante, mas, também, é cansativo. É um trabalho árduo. Eu, junto com tantos outros artesãos, lutamos para mantermos viva essa tradição no nosso Estado. Tentamos fazer produtos diferentes para que, assim, possamos melhorar o fluxo e o tempo do turista aqui em Alagoas”, conta Lígia.

 

Ainda segundo a presidente da Associação, o artesanato gera um bom número de empregos indiretos. “Resolvemos criar a Associação para lutarmos juntos por um mesmo ideal, que é a melhoria de vida, do trabalho, da infraestrutura. Só aqui no Pontal mil mulheres bordam o Filé e compramos também a produção de outras associações, gerando assim 15 mil empregos indiretos”.

 

Entre suas cores e linhas, o Filé, que se destaca onde está presente, ainda precisa, assim como toda a cultura que o cerca, ser mais valorizado pelo alagoano. “Nós precisamos conhecer o que temos, o que produzimos e, acima de tudo, nos valorizarmos mais”, finaliza Lígia.

Patrimônio Imaterial

 

Por decisão unânime do Conselho Estadual de Cultura, o bordado Filé se tornou Patrimônio Imaterial de Alagoas em março de 2014. 

 

De acordo com a secretária de Estado da Cultura, Mellina Freitas, ainda não existem ações que incentivem o desenvolvimento dos bens imateriais no Estado, mas ressalta a importância de um debate constante das políticas públicas voltadas para a cultura e que tragam, segundo ela, “um retorno positivo no sentido de resignificar e fomentar a cultura em Alagoas”.

 


“Hoje, o Filé é um ícone territorial, uma identidade visual da nossa terra, que possibilita uma retroalimentação de significados. O registro é importante, mas a valorização da população é mais ainda. O Governo de Alagoas trabalha para difundir, desenvolver e valorizar a cultura alagoana”, frisou a titular da pasta.

 

Pontal da Barra

 

O Pontal da Barra, bairro da Zona Sul de Maceió, é localizado às margens da exuberante Lagoa Mundaú. O bairro é referência do artesanato, na linha de bordados, como Filé, renda e labirinto, e se destaca também na gastronomia, com restaurantes e bares que servem frutos do mar e da lagoa.

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